CANELA | A Vigilância Ambiental da Secretaria Municipal de Saúde de Canela começou nesta semana a instalação de armadilhas para localizar focos do mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como a Dengue. As armadilhas, chamadas de “Ovitrampas”, passaram a ser adotadas pelo Centro Estadual de Vigilância em Saúde do Rio Grande do Sul como uma ferramenta preventiva, capaz de identificar a presença do inseto mesmo em locais onde não há indicativo de infestação. Inicialmente com 50 armadilhas instaladas, a Prefeitura de Canela pretende ampliar esse número até o final do ano, aumentando o território monitorado.
Nesta quarta-feira, dia 25, a equipe da Vigilância Ambiental retornou aos locais que receberam as primeiras Ovitrampas no sábado, 21, para verificar se havia presença de larvas e pupas. A definição dos pontos em que foram instaladas as armadilhas veio por meio de mapeamento da Secretaria Estadual da Saúde, mas coube ao Município de Canela a confirmação de que esses eram os melhores locais. “O ideal é que sejam espaços públicos ou de fácil acesso para que os agentes de saúde e combate à endemias possam armar e desarmar as armadilhas. Também é importante que sejam espaços cobertos e escuros, semelhantes aos que o Aedes escolhe para reprodução”, explica o coordenador da Vigilância Ambiental, Fábio Moura da Costa.
Entenda o funcionamento das Ovitrampas
As Ovitrampas começaram a ser usadas em maior escala, no Rio Grande do Sul, em 2022, e são uma estratégia pensada para simular o ambiente para a postura dos ovos pela fêmea do mosquito Aedes. Os locais de instalação, definidos entre Estado e Município, contam ainda com o apoio da comunidade – cada local, sendo residencial ou comercial, conta com aval dos proprietários, que assinam termo de autorização. “O objetivo é que possamos acessar as armadilhas com facilidade e sem atrapalhar a rotina dos lugares em que estão depositadas. A comunidade pode ficar tranquila com relação a qualquer outro uso das Ovitrampas, pois elas são ferramentas feitas apenas para o monitoramento do Aedes aegypti, sem qualquer outra finalidade”, esclarece o biólogo Fábio.
A instalação das Ovitrampas é simples e a montagem barata. São compostas por um recipiente de cor escura (vaso de planta), um pedaço retangular de eucatex posicionado em pé e preso por um clips, e onde ainda é depositado levedo de cerveja – produto atrativo para o inseto.
Após a instalação, os agentes de saúde e endemias retornam em cinco dias para recolher a armadilha e levar o material para análise em laboratório. Na análise é verificado se há presença de ovos com o uso de um microscópio e a contagem deles se houver – não é possível vê-los a olho nu. As mesmas armadilhas, devidamente numeradas e identificadas, são recolocadas nos locais do mapeamento para continuarem a identificação.
Os dados coletados alimentam o painel de monitoramento do Governo do Estado, que gera um mapa de calor do vetor (mosquito) e dos casos de Dengue. Canela é o único município da região com capacidade para realizar a análise laboratorial das amostras coletadas. Outras cidades, como Gramado, utilizam o serviço e enviam materiais para análise eventualmente.
Focos de Aedes e casos de dengue
De acordo com a titular da Vigilância Epidemiológica, Magali Cavinatto, até o momento, Canela não possui casos confirmados de Dengue em moradores, neste ano. Há 17 suspeitos aguardando resultado de exames no Laboratório Central do Estado (Lacen). Nenhum foco do mosquito foi encontrado nas rotinas de visitas dos agentes de saúde até agora, mas a Vigilância Ambiental mantém o trabalho e espera ampliar o número de armadilhas até o final de 2026 para garantir maior abrangência da observação.
Caso seja confirmado algum caso em morador ou visitante da cidade, as equipes da Vigilância em Saúde – especialmente Epidemiológica e Ambiental -, iniciam uma operação conjunta, com foco na notificação e delimitação da doença e do vetor. “Sabemos que o mosquito voa até 300 metros para depositar os ovos, então realizamos o monitoramento da zona e mantemos acompanhamento do paciente positivo. O objetivo é evitar novas infecções e infestações”, esclarece o coordenador Fábio.
Texto e fotos: Adriana Rabassa/Prefeitura de Canela















