Levantamento divulgado durante o Agosto Lilás reúne dados sobre ocorrências, perfil das vítimas e agressores e ações de prevenção realizadas no município.
Nova Petrópolis | Em alusão ao Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher, a Coordenadoria Municipal da Mulher de Nova Petrópolis apresentou um levantamento sobre os casos de violência doméstica registrados no município nos últimos anos.
O mapeamento foi apresentado pela coordenadora municipal da Mulher, Liriane Kintschner, e reúne informações sobre o número de ocorrências, perfil das vítimas e dos agressores, tipos de violência e medidas protetivas, além das ações desenvolvidas pela rede de proteção.
Registros apresentam oscilação nos últimos anos
Segundo os dados apresentados, Nova Petrópolis registrou 88 ocorrências em 2023, número que caiu para 79 em 2024 e voltou a subir para 85 em 2025. Em 2026, somente entre janeiro e julho, já foram contabilizados 76 registros.
Entre os meses deste ano, fevereiro apresentou o maior número de ocorrências, com 19 casos. Na sequência aparecem abril, com 17 registros, e março, com 16. Em maio foram contabilizados oito casos, enquanto junho teve seis e julho terminou com sete ocorrências.
A coordenadora ressalta que os números representam apenas os casos oficialmente registrados e que a realidade pode ser ainda maior em razão da subnotificação da violência.
As regiões com maior concentração de registros são o Centro e os bairros Pousada da Neve, Vale Verde e Fazenda Pirajá. Conforme o levantamento, a concentração está relacionada principalmente à maior densidade populacional dessas localidades.
Medo e dependência dificultam denúncias
Entre os principais obstáculos enfrentados pelas mulheres para denunciar situações de violência estão o medo de novas agressões, a ausência de uma rede de apoio, o receio de colocar os filhos em risco, a dependência financeira e o temor de que seus relatos não sejam considerados.
“Cada mulher vive uma realidade diferente. Acolher sem julgamentos, ampliar o acesso à informação e fortalecer a rede de proteção são passos essenciais para que mais mulheres possam reconstruir suas vidas com segurança”, destaca Liriane.
Mulheres entre 31 e 40 anos concentram maior número de registros
O levantamento também apresenta o perfil etário das vítimas registradas em 2026. A maior concentração está entre mulheres de 31 a 40 anos, com 25 casos.
Na sequência aparecem as faixas de 21 a 30 anos, com 22 registros, e 41 a 50 anos, com 20 casos.
Também foram registrados dois casos envolvendo mulheres entre 51 e 60 anos, três entre 61 e 70 anos e um caso na faixa de 71 a 80 anos. Não houve registros envolvendo vítimas entre 0 e 20 anos no levantamento apresentado.
Quanto à raça/cor, 13 vítimas se autodeclararam pretas ou pardas, enquanto as demais foram identificadas como brancas ou não tiveram a informação registrada.
Maioria dos agressores possui ensino fundamental
Em relação ao perfil dos autores da violência, os dados mostram predominância de baixa escolaridade.
Dos 76 casos registrados em 2026, 44 envolveram agressores com ensino fundamental, enquanto 27 possuíam ensino médio. Apenas três tinham ensino superior e dois não informaram a escolaridade.
Segundo a Coordenadoria, os agressores geralmente possuem algum tipo de relação de proximidade com as vítimas, podendo ser companheiros, ex-companheiros, familiares ou outras pessoas com vínculo íntimo.
Violência psicológica está presente em diferentes situações
O mapeamento considera diferentes formas de violência previstas na legislação, entre elas física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
A violência psicológica aparece como uma das principais formas identificadas, muitas vezes acompanhando outras modalidades de agressão.
Outro dado que chama atenção é o número de medidas protetivas deferidas em 2026, que já chega a 85 no município.
Prevenção envolve escolas, empresas e comunidade
Para enfrentar o problema, a Coordenadoria Municipal da Mulher desenvolve ações de conscientização e prevenção em diferentes espaços da comunidade.
Entre as iniciativas estão palestras em escolas, empresas e grupos comunitários, rodas de conversa, entrevistas em rádios locais e produção de conteúdos para as redes sociais.
As atividades abordam os diferentes tipos de violência, a desconstrução de mitos relacionados aos papéis de gênero e a importância de a sociedade não naturalizar comportamentos violentos.
“A conscientização muda a mentalidade, quebra tabus e faz com que a mulher reconheça quando está em situação de violência”, explica Liriane.
Onde buscar ajuda
Mulheres que estejam passando por uma situação de violência ou que precisem de orientação podem procurar os seguintes canais:
- Central de Atendimento à Mulher: 180
- Brigada Militar: (54) 3281-1276
- Ministério Público: (54) 3281-1367
- Polícia Civil: (54) 3453-9426
- CREAS-NP: (54) 3298-2671
- CRAS-NP: (54) 3298-2670
A orientação é que situações de violência sejam denunciadas e que as vítimas procurem a rede de proteção para receber acolhimento e orientação sobre os caminhos disponíveis para interromper o ciclo de violência.



















