Caso Cavalli: autores do latrocínio são de Canela e aguardavam defecho das investigações

Por Alexandre Cruz

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Fotos: Polícia Civil/Divulgação
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Um trabalho exaustivo da Polícia Civil culminou com a elucidação de um complexo caso de latrocínio (matar para roubar). O crime ocorreu em dezembro do ano passado, tendo como vítima o contador Antônio Ide Cavalli, 69 anos. Foram mais de 90 dias de investigações até que nesta terça-feira (9) os policiais prenderam os três acusados de matarem e roubarem a vítima. Os três criminosos são moradores de Canela e planejaram muito bem a ação e chegaram a acreditar que ficariam impunes.

Desde o início dos trabalhos o Delegado Vladimir Medeiros não informou detalhes sobre o caso, o que acabou gerando certa tranquilidade entre os criminosos que permaneceram com sua rotina quase normal na cidade. Por outro lado, os investigadores ao tomarem conhecimento do desaparecimento do contador iniciaram os trabalhos imediatamente. Conforme Medeiros, os policiais chegaram a trabalhar por dias, das 7h as 23hs, realizando diligências, ouvindo pessoas e coletando provas. 

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Conforme o delegado, o extenso e exaustivo trabalho, também possibilitou que a polícia reunisse farto material de provas técnicas, as quais são de extrema importância para a condenação dos acusados. Ainda segundo Medeiros, “esta talvez tenha sido a investigação mais complexa da última década em Canela, sendo que o pedido de prisão tem mais de 400 folhas”.

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Mais de um milhão roubados da vítima

Estimava-se que o contador, por conta dos seus negócios, costumava guardar uma grande quantia de dinheiro em casa, o que teria despertado o interesse dos criminosos. Com relação a quantia estimada no roubo, Medeiros salienta que  “pela personalidade reservada da vítima, não se sabe ao certo, mas se acredita que possa ser mais de um milhão”. Ainda na casa, foi deixado para trás pelos criminosos uma certa quantia em dinheiro, equivalente a R$ 50 mil.

Antônio Cavalli, 69 anos

As investigações indicam que os criminosos não tinham relação com o contador, porém sabiam que ele guardava dinheiro no seu apartamento, localizado no centro de Canela. “Não tinham contato direto com ele. Mas a vítima era pessoa relativamente conhecida na cidade, inclusive seu hábito de receber valores de aluguéis em dinheiro vivo também era de conhecimento de parte da comunidade”, destacou Medeiros.

Dinâmica do latrocínio

Conforme as investigações, o crime ocorreu na noite do dia 5 de dezembro do ano passado. Na noite de sábado, o trio teve acesso ao interior do prédio arrombando uma janela nos fundos. Em seguida invadiram o apartamento da vítima e iniciaram as agressões, que possivelmente tenham provocado a morte do contador. No local havia bastante sangue, possivelmente da vítima.

Os criminosos colocaram Cavalli, já sem vida, no porta malas da Kia Sportage pertencente à vítima. Pouco depois do meio-dia deixaram o prédio e fugiram, passando por ruas secundárias tentando se esconder de câmeras de segurança. Se deslocaram até o interior de Caxias do Sul e após a Parobé, onde o veículo foi abandonado e incendiado com a vítima dentro.

As prisões

Com base nas investigações, o delegado solicitou a prisão dos envolvidos, os três diretamente ligados e outros quatro com participação secundária. No entanto, o Judiciário entendeu que havia necessidade de acatar três mandados.

O mentor do crime, de 53 anos, foi preso em sua residência na Rua Henrique Muxfeldt, próximo a escola Luiza Corrêa. Ele tem vasta ficha criminal, já tendo cumprido pena por crimes patrimoniais. Ele também praticou roubos contra grandes empresários da região. Ele inclusive teria comprado uma árvore “miniatura”, técnica denominada de bonsai, a qual acabou dando nome a operação.

Foto: Divulgação/Policia Civil

O outro envolvido foi preso na Rua Caixa Econômica, nas proximidades dos Bombeiros. O terceiro criminoso foi preso na Praça João Corrêa, nas proximidades do prédio da vítima. Estes dois também com antecedentes por crimes patrimoniais. Todos serão indiciados por crimes de latrocínio, ocultação de cadáver, associação criminosa e outros delitos menores.

Investigações ainda seguem

Conforme o delegado Medeiros, as investigações ainda continuam em andamento. Segundo a autoridade policial, estas prisões fazem parte da primeira fase da operação. Por fim, Medeiros elogiou a dedicação da sua equipe que trabalhou exaustivamente na elucidação do caso.

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