CANELA | O Governo do Rio Grande do Sul, por meio da Polícia Penal, vinculada à Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS), entregou na tarde desta sexta-feira (12) 20 bancos vermelhos à Prefeitura de Canela. A cerimônia ocorreu no Presídio Estadual de Canela, onde os móveis foram confeccionados com mão de obra prisional.
A produção envolveu seis homens privados de liberdade, entre eles três apenados por crimes relacionados à violência doméstica. Os bancos foram fabricados com materiais fornecidos pelo Executivo Municipal e serão instalados em diferentes pontos turísticos da cidade. Logo após o ato de entrega, uma das peças foi colocada em frente à Catedral de Pedra, um dos principais cartões-postais de Canela.
Durante a solenidade, o secretário da SSPS, Cesar Kurtz, destacou os avanços registrados pelo Rio Grande do Sul nos índices de segurança pública, mas alertou para a preocupação com os casos de feminicídio. Segundo ele, os bancos vermelhos têm o objetivo de provocar reflexão nos espaços públicos e ampliar o debate sobre a violência contra as mulheres.
“Os bancos vermelhos são uma iniciativa que visa trazer para locais públicos uma imagem que vá provocar uma reflexão. E Canela tem um papel muito relevante no turismo do Estado, por isso a importância de ter os bancos aqui, reverberando para vários locais do país essa mensagem. Muitas mulheres que foram vítimas de feminicídio não tinham medida protetiva e a gente precisa dar um basta, não tolerar mais nenhum nível de violência”, afirmou.
O diretor do Presídio Estadual de Canela, Rômulo dos Santos, ressaltou a importância da parceria entre os órgãos públicos para viabilizar o projeto. “Graças ao apoio operacional e à orientação dada pela SSPS, pela Polícia Penal e pela Delegacia Regional, nos é propiciada a produção desses bancos e, com isso, a conscientização das pessoas, dos visitantes e dos apenados”, disse.
A iniciativa integra um movimento internacional de combate à violência contra a mulher e ao feminicídio. Representando a Prefeitura de Canela, o vice-prefeito Gilberto Tegner enfatizou o papel da união entre instituições públicas em ações de conscientização.
“Nós temos que valorizar o serviço público, e aqui estamos vendo isso, uma parceria entre a casa prisional e a prefeitura, dando as mãos por uma causa. Nós temos que ter a sensibilidade de não deixar esse tema morrer, porque a sociedade se faz no enfrentamento dessas lutas. O banco é apenas mais uma das tantas ferramentas que nós temos que empunhar para enfrentar essa questão”, destacou.
A diretora do Departamento de Articulação, Cuidado Integral e Promoção à Autonomia Econômica (Dacipae) da Secretaria da Mulher, Márcia Scherer, chamou atenção para o fato de que apenados, inclusive alguns com antecedentes por violência doméstica, participaram da fabricação dos bancos, o que também pode contribuir para reflexões sobre o tema.
“É também importante que estes bancos estejam em cidades turísticas, com circulação de pessoas daqui e do exterior, que levem essa mensagem de olhar para as mulheres”, afirmou.


















