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Arte que Acolhe leva debate sobre saúde mental à Tribuna do Povo

Daiene Malta Dutra Cliquet e Katiane Reis destacaram o papel das oficinas terapêuticas do CAPS e a importância da arte, da convivência e da inclusão no cuidado em saúde mental

GRAMADO | A Tribuna do Povo da Sessão Ordinária desta segunda-feira (5), na Câmara Municipal de Gramado, recebeu Daiene Malta Dutra Cliquet, produtora cultural, e Katiane Reis, diretora e coordenadora de Saúde Mental do município de Gramado, para apresentar o trabalho desenvolvido por meio da exposição “Arte que Acolhe”. A iniciativa reúne produções realizadas por usuários do CAPS Gramado e evidencia o papel da arte no cuidado, na autonomia e na inclusão das pessoas atendidas pela rede de saúde mental.

Durante a manifestação, Katiane destacou que as oficinas terapêuticas desenvolvidas no CAPS e no CAESM vão além de atividades recreativas. Entre as ações realizadas estão oficinas de artesanato e reciclagem, música e atividades físicas, que contribuem para estimular a autonomia, a autoestima, a convivência e o desenvolvimento dos usuários.

“Muitas vezes quem olha de fora pode pensar que uma oficina de arte, de música ou de convivência no CAPS é somente um passatempo, mas é preciso compreender o valor técnico e humano que tem esse trabalho. A oficina não é para passar tempo, ela é remédio que farmácia não vende”, destacou Katiane.

Segundo a diretora e coordenadora de Saúde Mental, CAPS e CAESM realizam, juntos, cerca de 1,5 mil atendimentos mensais, considerando serviços como psicologia, psiquiatria e as demais atividades oferecidas pela rede. Katiane também falou sobre a expectativa pela futura sede do CAPS, que deverá contar com aproximadamente 700 metros quadrados e ampliar a estrutura destinada ao atendimento da comunidade.

Na sequência, Daiene Malta Dutra Cliquet abordou sua experiência como produtora cultural e oficineira no CAPS, ressaltando como diferentes linguagens podem funcionar como instrumentos de expressão, convivência e reconstrução. “As oficinas não ensinam apenas técnicas, ensinam a pertencer. Criam um lugar onde cada pessoa é vista, ouvida e valorizada. Onde o erro vira aprendizado e o encontro vira amizade”, afirmou.

A exposição “Arte que Acolhe” é resultado desse trabalho desenvolvido semanalmente com os usuários. As produções já foram apresentadas na Câmara Municipal de Gramado e também ganharam novos espaços na cidade, ampliando a visibilidade dos trabalhos e aproximando o debate sobre saúde mental da comunidade.

Daiene também defendeu que a nova estrutura do CAPS seja pensada para fortalecer e ampliar as oficinas já desenvolvidas. “Que esse novo espaço não seja apenas maior, mas mais completo. Que ele possa acolher e ampliar todas as atividades: arte, música, movimento e cuidado, em todas as formas”, ressaltou.

Ao final, as representantes reforçaram que o cuidado em saúde mental passa também pela convivência, pela criação de vínculos e pela participação social. A proposta da “Arte que Acolhe” é mostrar que as produções desenvolvidas pelos usuários representam não apenas trabalhos artísticos, mas também processos de expressão, pertencimento e retomada da autonomia.

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