Relato na Tribuna do Povo mobilizou vereadores, que criticaram as dificuldades de acesso à saúde pública e cobraram soluções do Executivo municipal.
CANELA | A situação da saúde pública em Canela voltou a ser alvo de críticas durante a sessão da Câmara de Vereadores realizada na segunda-feira (19). Na Tribuna do Povo, Sirlei Souza fez um relato emocionado sobre as dificuldades enfrentadas por sua família para garantir atendimento adequado à filha, denunciando a redução das sessões de fisioterapia e a demora no acesso a consultas com especialistas.
Segundo Sirlei, a filha realizava fisioterapia duas vezes por semana, mas a família foi informada de que, devido a um corte de gastos, o atendimento passaria a ocorrer apenas uma vez por semana. Para a mãe, a redução é insuficiente diante das necessidades da jovem e pode comprometer sua condição de saúde.
Além disso, Sirlei relatou que a filha aguarda há mais de oito meses por consultas com neurologista e fonoaudiólogo, sem conseguir acesso aos atendimentos necessários. “Preciso que quem está aqui me ajude. Não vou deixar minha filha passar por mais isso”, declarou a mãe durante sua manifestação.
Durante o pronunciamento, Sirlei também relembrou um episódio ocorrido quando a filha tinha 18 anos. Conforme seu relato, a jovem passou por uma cirurgia de apendicite e retornou do procedimento acamada, situação que a mãe atribui a um excesso de anestesia.
Segundo Sirlei, o caso está sendo tratado na Justiça.
Vereadores criticam redução de atendimentos
O relato provocou manifestações de vereadores, que apontaram dificuldades recorrentes no acesso aos serviços de saúde do município e defenderam medidas para garantir a continuidade dos atendimentos.
O vereador Felipe Caputo reconheceu a gravidade da situação da saúde pública e criticou a redução de serviços, argumentando que a economia obtida com cortes em atendimentos preventivos pode resultar em despesas maiores no futuro.
Na avaliação de Caputo, a diminuição de serviços como a fisioterapia pode agravar o quadro dos pacientes e aumentar a demanda sobre outras áreas, como a assistência social e os hospitais.
Como fisioterapeuta, ele demonstrou indignação com a possibilidade de redução desse tipo de atendimento.
“Como fisioterapeuta, escutar que a fisioterapia está sendo deixada de lado e os pacientes vão piorar cada vez mais, com o perdão da palavra, isso é uma burrice do Executivo”, afirmou.
O vereador Cabo Antônio também fez duras críticas à condução da saúde municipal, classificando a situação como irresponsabilidade e descaso do governo e do secretariado. Ele destacou as dificuldades enfrentadas pela população mais vulnerável para obter atendimentos básicos e pediu que os responsáveis se coloquem no lugar das famílias que dependem dos serviços públicos.
O parlamentar também questionou a atribuição de problemas às administrações anteriores, defendendo que a atual gestão responda pelas decisões e pela execução do orçamento sob sua responsabilidade.
Já o vereador Rodrigo Rodrigues considerou o relato de Sirlei um dos momentos mais impactantes da sessão na Tribuna do Povo. Ele defendeu que a Câmara mantenha um diálogo firme com o Executivo para buscar soluções concretas, independentemente de divergências partidárias.
Os demais vereadores também relataram receber reclamações frequentes da comunidade sobre a saúde pública, especialmente em relação à redução de atendimentos e às dificuldades para conseguir consultas e procedimentos.
Entre os problemas mencionados estão a demora no acesso a especialistas e a necessidade de buscar atendimento em outros municípios para serviços que, segundo os parlamentares, deveriam ser disponibilizados localmente.
Os vereadores criticaram a falta de investimentos na área e apontaram preocupações com a destinação dos recursos municipais diante das demandas da população.
Durante os pronunciamentos, também foi reforçada a orientação para que pacientes e familiares que enfrentam dificuldades de acesso à saúde procurem a Defensoria Pública e, quando necessário, o Judiciário, a fim de buscar a garantia de seus direitos.
O caso apresentado por Sirlei Souza colocou em evidência as consequências que a descontinuidade ou a redução de atendimentos pode representar para pacientes que dependem de acompanhamento contínuo. A manifestação também ampliou a cobrança dos vereadores por respostas do Executivo municipal sobre a oferta de serviços, as filas de espera e os critérios utilizados para definir a distribuição dos atendimentos de saúde em Canela.
















