GRAMADO | Quase sete anos após participar de um confronto com assaltantes em Gramado, o inspetor da Polícia Civil Douglas Costa de Oliveira, lotado na Delegacia de Polícia de São Francisco de Paula, ainda aguarda reconhecimento institucional por sua atuação. O Sindicato dos Agentes da Polícia Civil (Ugeirm) acompanha o caso e defende que o policial seja oficialmente valorizado pela corporação.
A ocorrência remonta a 1º de novembro de 2019, quando três criminosos assaltaram um sítio na localidade de Linha 28, em Gramado. Durante a ação, o grupo sequestrou o proprietário e três funcionários. Na fuga, houve troca de tiros e um policial civil acabou atropelado — ele sobreviveu, mas ficou com sequelas.
Com o veículo avariado, após terem os pneus furados, os criminosos abandonaram o carro e fugiram a pé para uma área de mata. Os reféns foram resgatados sem ferimentos, enquanto a região permaneceu cercada por forças policiais por mais de 72 horas.
Mesmo em período de férias, Douglas Costa decidiu integrar as buscas de forma voluntária e permaneceu em diligências por três dias. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo compromisso com os colegas de profissão.
“Mesmo estando de férias, decidi compor o efetivo nas buscas. Agi por conta própria. Depois de ver um colega ferido, dei pouca importância à minha integridade física e ao amparo legal”, relata o inspetor.
Sob o comando dos delegados Heliomar Franco e Gustavo Barcellos, Costa afirma ter participado de confrontos em meio ao matagal. Em um desses embates, um dos criminosos morreu. Os outros dois foram capturados e, em maio de 2025, acabaram condenados a penas de 59 e 33 anos de reclusão.
Apesar da atuação, o inspetor não foi incluído entre os homenageados pela instituição. Ao todo, sete agentes e um delegado receberam honrarias por ato de bravura, sem que houvesse justificativa oficial para a exclusão de Costa. Desde então, ele busca o reconhecimento pela via judicial, com apoio do Ugeirm.
“Está comprovado que fui alvo de tiros, ou seja, vítima de tentativa de homicídio durante minhas férias. Também estive no confronto que resultou na morte de um dos criminosos. Insatisfeito por não ter recebido nem uma simples portaria de louvor, entrei com pedido de reconhecimento de ato de bravura, conforme previsto em lei”, afirma.
Para o inspetor, a falta de valorização institucional pesa mais do que a ausência de promoções na carreira. Ainda assim, ele garante que não se arrepende da decisão tomada na ocasião.
“Meus colegas brincam que não foi um ato de bravura, mas de loucura. Mesmo assim, faria tudo novamente, não pela instituição, mas por meus colegas. Um Estado que não reconhece seus servidores não é digno de tamanha dedicação. Seria esperado portaria de louvor, não precisaria ato de bravura”, diz.
O chefe de Polícia, delegado Heraldo Guerreiro, afirmou não ter conhecimento prévio da situação envolvendo o inspetor, mas destacou que o risco faz parte da atividade policial.
“Se for merecimento dele, o correto é que seja reconhecido. Todavia, um policial não deixa de ser policial quando está de férias. Proteger a sociedade é seu dever, independente de reconhecimento ou promoções”, pontua.
Já o vice-presidente do Ugeirm, Fábio Nunes Castro, defende que todos os policiais que colocam a própria vida em risco em defesa da sociedade devem ser reconhecidos.
“Por mais que arriscar a vida seja algo próprio da profissão, todo o policial que se expõe ao risco merece ser reconhecido. A totalidade da equipe que participou da ação em Gramado deveria ter sido agraciada”, ressalta.
Texto original por Marcel Horowitz – Correio do Povo


















