CANELA/GRAMADO | Moradores de Canela e Gramado estão recorrendo às redes sociais e aos canais de atendimento da concessionária RGE para reclamar de aumentos considerados muito acima do normal nas contas de energia elétrica recebidas nas últimas semanas. Há relatos de consumidores que tiveram as faturas praticamente dobradas ou até triplicadas em relação aos meses anteriores.
A situação também vem sendo registrada em outras cidades do Rio Grande do Sul e já provocou manifestações de consumidores, órgãos de defesa do consumidor e representantes do poder público.
Em Gramado, vereadores levaram o assunto à Câmara Municipal após receberem reclamações de moradores. Entre os relatos apresentados estão faturas que teriam passado de aproximadamente R$ 209 para R$ 879 e de cerca de R$ 500 para R$ 3 mil. Os parlamentares cobraram explicações da RGE e questionaram a diferença entre os aumentos relatados pelos consumidores e o reajuste tarifário autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Em Canela, também aumentou o número de relatos de consumidores que afirmam ter recebido contas com valores muito superiores aos habituais. Publicações e manifestações de moradores apontam casos em que as faturas chegaram a dobrar ou até triplicar. As reclamações também foram discutidas pelos vereadores durante as últimas sessões e também através do perfil pessoal de alguns vereadores em redes sociais.
Reajuste autorizado foi de 14,97% para residências
A reclamação dos consumidores ocorre após um reajuste tarifário anual aprovado pela ANEEL para a RGE. As novas tarifas entraram em vigor em 19 de junho de 2026.
Para os consumidores residenciais, o reajuste autorizado foi de 14,97%. O efeito médio para todos os consumidores da RGE ficou em 16,06%, enquanto os consumidores de baixa tensão tiveram aumento médio de 14,93%.
Segundo a ANEEL, entre os fatores que pressionaram o reajuste estão os custos relacionados aos componentes financeiros dos ciclos tarifários, encargos setoriais, transmissão e aquisição de energia. Também pesou no cálculo a recomposição de valores relacionados ao período em que reajustes foram postergados após a calamidade provocada pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul.
Ou seja, uma conta residencial que custava R$ 200, por exemplo, não deveria simplesmente passar para R$ 400 apenas em razão do reajuste tarifário de 14,97%. Uma série de outros fatores pode alterar o valor final da fatura, como o consumo efetivamente registrado, período de leitura, tributos, encargos e outros componentes da conta.
Bandeira amarela também pesa no bolso
Além do reajuste da tarifa, os consumidores gaúchos estão enfrentando outro fator que contribui para o aumento da conta: a bandeira tarifária amarela.
A ANEEL manteve a bandeira amarela durante agosto de 2026, pelo quarto mês consecutivo. A medida representa uma cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos. Segundo a agência, a decisão está relacionada às condições menos favoráveis de geração de energia durante o período seco, com redução dos níveis dos reservatórios e necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que possuem custo maior.
Apesar disso, a bandeira amarela, isoladamente, também não explica aumentos de 100%, 200% ou 300% nas faturas. Quando uma conta apresenta uma variação muito superior ao reajuste tarifário, é recomendável verificar detalhadamente o histórico de consumo e a leitura do medidor.
Relatos semelhantes se espalham pelo Estado
As reclamações não estão restritas à Região das Hortênsias. Consumidores de diferentes municípios atendidos pela RGE vêm relatando aumentos considerados fora do padrão.
O Procon também passou a registrar reclamações relacionadas às contas da concessionária. O órgão recebeu um número expressivo de manifestações de consumidores e cobrou providências da empresa.
Há ainda relatos de contas que chegaram a apresentar aumentos de até 300% em diferentes regiões do Estado, muito acima do reajuste tarifário autorizado pela ANEEL.
O que o consumidor deve conferir
Diante de uma conta muito acima do habitual, a orientação é comparar a fatura atual com as anteriores e verificar principalmente o número de quilowatts-hora (kWh) consumidos.
Também é importante observar se a leitura foi realizada diretamente no medidor ou se a fatura foi calculada por média, além de conferir a quantidade de dias entre uma leitura e outra.
Em períodos de frio intenso, o consumo também pode aumentar significativamente devido ao uso mais frequente de chuveiros elétricos, aquecedores, ar-condicionado, secadoras e outros equipamentos.
A própria RGE disponibiliza um simulador de consumo para que o consumidor possa estimar quanto cada equipamento utilizado em casa representa na conta de energia.
Caso o consumo indicado na fatura esteja muito acima do histórico da residência e não haja uma justificativa aparente, o consumidor pode solicitar uma revisão da conta à concessionária e, se não houver solução, procurar o Procon ou os canais da ANEEL.
A principal dúvida que permanece entre moradores de Canela e Gramado é justamente essa: por que algumas contas registraram aumentos muito superiores aos 14,97% de reajuste autorizado para consumidores residenciais?
Enquanto consumidores aguardam esclarecimentos, a recomendação é não ignorar uma fatura fora do padrão. Guardar as contas anteriores, fotografar o medidor e registrar uma eventual reclamação são medidas importantes para comprovar a evolução do consumo e contestar possíveis inconsistências.




















