Abel Braga, de vilão a herói

67
Publicidade

Em um campeonato incomum, Abel chegou desacreditado e recuperou não apenas sua qualidade técnica como também o favoritismo do Inter.

Ninguém esperava que Abel seria o nome que traria tanta esperança para a torcida colorada. O treinador chegou após a saída de Coudet, marcado por um ótimo futebol porém com relação conturbada com a diretoria. Todos sabem que a chegada de Abel foi uma forma dos cartolas colorados de se protegerem, chamando um ídolo antigo para disfarçar a mancada que fizeram com o técnico argentino, afinal, nada justificaria a contratação de Abel após seus últimos trabalhos, ainda mais se tratando de um time na ponta da tabela. Mesmo assim, o técnico veio e engrenou: já são oito vitórias seguidas, liderança isolada e um tabu de 11 jogos quebrado contra o principal rival.

Publicidade

Para entender como isso aconteceu, temos que olhar a temporada de uma forma diferente. O contexto do futebol em meio a pandemia é outro em todo o mundo: jogos mais lentos, calendário apertado, preparação física comprometida e grande número de lesões. Isso muda completamente a forma de jogar. Se analisarmos a Premier League, considerada a liga de melhor qualidade no mundo, tudo mudou. Liverpool de Klopp, uma verdadeira máquina nas últimas duas temporadas, não assusta mais. City de Guardiola, famoso por jogar de forma muito ofensiva, agora segura um pouco o jogo e valoriza a volância. Mourinho, uma lenda do futebol contemporâneo, chegou a ficar na liderança da liga com vitórias magras e pouquíssima posse de bola. Hoje, o líder é o Manchester United, jogando da mesma forma que nas outras temporadas recentes quando o time era criticado.

Publicidade

E da mesma forma que o United, o Inter acaba na liderança do Brasileirão. Não apresenta um futebol brilhante, movimentações complexas ou troca de passes intensa e veloz. Mas sim, uma aula da base tática do futebol. Uma marcação bem encaixada, uma saída de bola limpa mas não arriscada e, talvez o mais importante, valorizar a posse de bola de forma objetiva. Afinal, bateu o líder São Paulo com cinco gols marcados e apenas 30% de posse de bola.

No último texto, citei o Santos na Libertadores de forma parecida. Também apresenta um futebol simples e efetivo. Entre Inter e Santos, um é favorito para o Brasileirão e o outro é finalista da Liberta. A tendência é que o futebol evolua cada vez mais na parte tática, mas organização e raça são essenciais para qualquer bom desempenho.