Três décadas de um sonho de natal transformadas em livro

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A 32ªedição do Sonho de Natal, lançada recentemente, trouxe também um presente extra para a comunidade canelense. Foi lançado junto, o livro Três Décadas de um Sonho de Natal, o qual retrata a história do principal evento de Canela. A obra é um dos maiores resgates sobre algo relacionado à história contemporânea de Canela e foi produzida entre abril de 2017 e junho de 2019.  O escolhido para transformar o sonho em realidade foi o jornalista Márcio Cavalli, o qual já havia escrito reportagens contando as histórias de personagens ilustres de Canela, que mais tarde também viraram livros.

O autor da obra concedeu entrevista ao Jornal Digital Online Canela Gramado e falou sobre a experiência. “Foi um trabalho proposto pelo secretário de Turismo e Cultura Ângelo Sanches em janeiro de 2017. Começava o novo governo e ele foi a uma reunião do Conselho Municipal de Políticas Culturais de Canela, do qual era e sou suplente, para falar sobre várias ações para o Sonho de Natal. Uma dessas ações era o lançamento de um livro, e na reunião anunciou que eu seria o autor (eu nem sabia), pelo trabalho com a memória local que eu realizava”, recorda Cavalli.

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“Começo o livro com um breve contexto sobre a formação de Canela. O Sonho começou em 1988, mas contextualizo a partir de 1986, quando teve um presépio vivo feito pela Comunidade Evangélica São João, em frente do atual Teatrão. Isso teria inspirado o evento dois anos depois. Conto ano a ano o Sonho, de 1988 a 2017, e mesclo fatos da cidade que marcaram cada ano, além de lembrar personagens e acontecimentos. Em 1993, por exemplo, chegaram os primeiros caixas eletrônicos à cidade”, salienta o autor.

Cavalli afirma ainda que o livro é um resgate feito por arquivos da imprensa escrita com o relato da memória oral por meio de entrevistas. “No início, quando o Ângelo anunciou que eu escreveria, senti um pouco de insegurança, pois não sabia o que fazer ou como começar. Mas logo vi que o rumo seria algo semelhante ao que eu sempre fiz, com pesquisa e entrevistas”, recorda. O jornalista lembrou ainda que o trabalho lhe consumiu vários finais de semana, por ter que consultar todos os arquivos dos jornais da cidade de 1984 a 2017. “Ainda, resgatei algo do primeiro jornal, o Sentinela (1946-1963) para ver como se celebrava o Natal na comunidade. Até o início do Sonho, não havia foco turístico. Tudo se concentrava nas famílias e nas igrejas. Canela era vazia em dezembro, e os anos do evento fariam isso mudar”, salientou.

Cavalli também falou sobre o que mais lhe marcou ao escrever o livro. “Das coisas que marcaram, a primeira foi a divisão do evento, cuja fase comunitária da formação da comenda, vai até 1998. Teria um caráter comunitário ainda, mas caminhava para a institucionalização, para a profissionalização. Em segundo, a gente sempre aprendeu, pelos livros de história, que muitos fatos são centrados em poucos e pontuais personagens. No caso do Sonho, os protagonistas são vários pelo fato da formação das comendas ano a ano, principalmente na fase comunitária; isso fora a gente anônima que guarda lembranças, foi testemunha e teria muito o que contar. Só aí vira um somatório de lembranças e relatos que deram uma riqueza enorme à obra, tanto que, se eu pudesse escrever mais 100 páginas, teria material suficiente”, destacou.

Histórias não contadas no livro

Cavalli lembrou ainda que nem todas as histórias que ouviu durante as entrevistas pode transcrever no livro. Ele revelou algumas curiosidades ao JD. “Uma que consta em 1989. O Grupo Ká & Lá, do Olmiro, do Assis Lirio e outros, fazia suas serenatas pelas ruas para chamar a comunidade para viver o Natal. Uma noite, estavam na rua do atual Klein Ville tocando, era tudo um mato ainda. De repente, viram luzes verdes que saíram do meio do mato. Pensavam que era de ETs e correram para os carros. Quando chegaram ao Centro, uma calmaria só e estranharam. Os “ETs” eram lasers vindos do Natal Luz de Gramado. É que nunca haviam visto laser em Canela. No dia da abertura do Sonho de 1988, uma meia hora depois, deu uma pane na cidade. Muita gente começou a murmurar pensando que era boicote de gramadenses. Aí chegou a informação de um caminhão que bateu num poste em frente onde seria o Continental. Foi todo mundo lá, alguns com raiva e poderiam até linchar o motorista. Quando viram, o homem não era de Gramado, mas sim funcionário do açougue do Ivo Bohrer, que seria hoje em frente ao Rissul. Não era boicote, mas um acidente na hora errada. Essa última história não contei esses detalhes no livro”, relembra o autor.

Lançamento na Feira do Livro de Porto Alegre

Cavalli confidenciou que gostaria que o livro seguisse além das fronteiras do município. “Propus à Secretaria de Turismo e Cultura que lancemos o livro na Feira do Livro de POA, em novembro, já que promoveremos na Capital o maior evento da cidade e que recebe grande número de visitantes da Região Metropolitana”, afirmou. Como o material é histórico e educativo, os livros estão sendo distribuídos nas escolas.

O jornalista falou ainda sobre a repercussão do trabalho. “A repercussão do livro tem sido além do esperado. Já no lançamento as pessoas queriam comprar, perguntavam como adquirir, mas precisava do aval da Secretaria para ver como seria a distribuição”, salientou.